Juventude conectada desafia modelo tradicional de ensino

 

Especialistas em educação fazem um alerta: a escola precisa mudar

para acompanhar o ritmo da chamada geração Y


Se um estudante do século 19 voltasse às aulas hoje, como boa parte dos alunos gaúchos, provavelmente se espantaria com o comportamento dos colegas e com a parafernália eletrônica que carregam nas mochilas, mas reconheceria de longe a sala de aula: o quadro negro, as fileiras de classes e a figura do professor à frente da turma lhe pareceriam muito familiares. Enquanto a geração do século 21 nasce plugada e desafia os modelos tradicionais de educação com inéditas formas de pensar e de aprender, a escola que se propõe a ensiná-los pouco se modernizou nesses dois séculos.

Diante do choque inevitável entre alunos digitais e um modelo de ensino analógico, especialistas alertam para um momento de ruptura: se quiserem continuar cumprindo seu papel, as instituições de ensino precisam se reformular. E para isso não adianta apenas investir em laboratórios de informática. É necessário repensar desde a maneira de se relacionar com os alunos até a geografia da sala de aula. Em vez de taxar os alunos de inquietos ou desinteressados, é preciso investigar o porquê dessa aparente apatia.

– Isso que a gente chama de indisciplina, desinteresse, apatia deve ser um motivo para mexer na qualidade da aula. Essa geração fuça, mexe, pluga, implode a escola que tem o modelo de aula dos séculos 18, 19 – adverte o professor e pesquisador Adriano Nogueira, que trabalhou com Paulo Freire e assina com ele diversos livros sobre educação, entre eles Que Fazer? – Teoria e Prática em Educação Popular.

Chamados de geração Y por sociólogos, os nascidos depois de 1980 são identificados por uma inquietação permanente, alimentada pela crescente velocidade das redes a que estão conectados. As mudanças são tão aceleradas que já há quem identifique uma geração Z. Segundo o pedagogo e conferencista Hamílton Werneck, autor de livros como Se Você Finge que Ensina, Eu Finjo que Aprendo, ela seria formada pelos nascidos depois de 1994.

– A Z é uma espécie de geração Y mais turbinada, está muito mais conectada no cyberespaço, e a escola está ficando para trás. O problema é que esses alunos também sofrem os efeitos da dispersão. Eles começam pesquisando sobre o Delta do Rio Parnaíba na internet, entram num link sobre o delta do Nilo, daqui a pouco já estão lendo sobre a última pesquisa do DNA de Tucancamon e não fizeram a pesquisa original. A escola tem um papel importante nessa mediação, ajudando a discernir informação – diz Werneck.

Para Paulo Al-Assal, diretor-geral da Voltage, agência de pesquisa especializada em tendências, com sede em São Paulo, um dos problemas da escola atual é que ela mata a criatividade, ao padronizar alunos em seu modelo fabril. E a criatividade é justamente a principal exigência do futuro.

– Minha filha de oito anos assiste Discovery, Geographic Channel, acessa multiplataformas. Aí vem a professora no primeiro dia de aula e diz: “a pata nada”. Em seu formato atual, a escola mata a criatividade – critica Al-Assal.

Tudo ao mesmo tempo agora

A estudante Daniela Guerra Cotta, 11 anos, ouve em seu iPod as músicas que baixa da internet, conversa no MSN com as amigas enquanto se diverte com o jogo virtual Club Penguin. Orgulhosa, mostra o livro que escreveu e postou no site Bookess. Com o título O Livro Premiado, é uma história com “concursos, romances, paixões secretas, bailes, emoções e música”, como define a sinopse escrita por ela. Explica ainda como cria histórias em quadrinhos na internet. Tudo em um clique, tudo ao mesmo tempo. Ela garante que gosta da escola, está com saudades de reencontrar pessoalmente as amigas no Colégio Rosário, em Porto Alegre. Mas preferia que as aulas fossem no computador.

– Seria mais legal, né? – diz ela, que também ensinou a mãe a criar um twitter e produzir vídeos no programa Movie Maker.

A mãe, a professora Cleonice Guerra, corre atrás para aprender com a filha – e transmitir o aprendizado a seus alunos:

– As crianças já nascem conectadas. Nós somos migrantes, eles são nativos. Se a gente não estiver atualizado, eles passam por cima.

Escolas particulares voltam hoje



Conheça a Geração Y
Pontos positivos

- Inteligência: eles aprendem tudo ao mesmo tempo

- Bom relacionamento: tendem a se relacionar bem e tolerar as diferenças

- Agilidade: são rápidos para resolver o que gostam

- Fidelidade aos seus ideais: eles defendem seus projetos

Riscos

- Exílio: os alunos correm o risco de ficar alienados e exilados em seu mundo no computador. Um dos papéis da escola é ajudá-los a se socializar

- Superficialidade: a velocidade é tão grande que eles refletem pouco sobre as informações. O professor deve ajudá-los

- Inquietação permanente: essa geração está sempre em busca de novos estímulos e pode deixar tarefas incompletas

- Dispersão: em meio a tantos links e possibilidades, os alunos podem se perder

Por onde começar

Professores

- Seja um mediador: ajude seus alunos a selecionar as informações. Oriente, organize o conhecimento

- Atualize-se: não seja analfabeto digital. Aprenda com seus alunos, navegue na rede e aproveite o entusiasmo deles para produzir materiais didáticos em conjunto

- Tente entender como o jovem pensa: às vezes, ele contesta por não entender o porquê daquela tarefa

Pais

- Participe: acompanhe o que seu filho pesquisa na internet e procure orientá-lo

- Estabeleça horários: delimite o tempo para as lições de casa e para brincar. Lembre-se de que o seu filho precisa dormir bem para poder reter na memória o que aprendeu

- Oriente: ajude nas lições de casa, mas nunca faça por eles

Este artigo foi divulgado  no  http://www.cmconsultoria.com.br/vercmnews.php?codigo=43149
Fonte: Zero Hora Online

Deus

O amor constrói. Mas não ensina a tabuada

Em artigo para a revista Veja, o economista Gustavo Ioschpe critica a tendência de alguns educadores de priorizar a criação de um ambiente de afeto em sala de aula em detrimento do aprendizado. 

Na teoria, ela bebe de fontes sérias, que vão da psicologia transpessoal de Abraham Maslow às ideias de inteligência emocional de Daniel Goleman. Aplicada à pedagogia, significaria alterar as práticas de sala de aula para incentivar a introdução da afetividade na relação aluno-professor e entre os próprios alunos, com o objetivo de criar um ambiente de bem-estar na escola que melhorasse o ensino-aprendizagem. Assim como a maioria dos professores brasileiros se diz construtivista sem jamais ter lido Piaget ou entendido sua teoria, também a pedagogia do afeto tem uma aplicação que, em seu simplismo, pouco tem a ver com a matriz teórica. No Brasil, usa-se essa definição para uma ideia algo difusa de que o fundamental de uma escola, de um professor, é dar afeto aos seus alunos e desenvolver com eles uma relação pessoal, suprindo a suposta carência de afeto sentida pelas crianças brasileiras.

Essa visão se espalha com enorme rapidez. Em pesquisa recente de Tania Zagury com uma amostra grande de professores de todo o país, 62% dos entrevistados disseram que "a melhor escola é aquela em que o aluno encontra professores amigos e ambiente agradável". Grupos de escolas particulares adicionam o coraçãozinho da sua pedagogia afetiva a seus anúncios, e a teoria é agora o norte pedagógico da Legião da Boa Vontade (LBV).

A pedagogia do afeto apresenta três vantagens importantes a seus adeptos. A primeira é que ela é de difícil mensuração (como se mede o amor?), de forma que é impossível dizer se funciona ou não. A segunda é que o uso do afeto serve como um antídoto ao fracasso de nossas escolas naquela que deveria ser sua primeira tarefa, a de transmitir conhecimentos da cultura universal e desenvolver o raciocínio analítico e a curiosidade do alunado. Sempre é conveniente defender-se do fracasso técnico atrás do véu propiciado por uma causa nobre. Afinal, o que é saber trigonometria diante de estar com o coração transbordante e em contato com sua alma? Finalmente, o terceiro benefício é que a pedagogia do afeto apresenta uma alternativa mais simpática para explicar o insucesso da escola em relação a seu principal concorrente, a ideologização do ensino, que pretende formar o "cidadão crítico e consciente". Você pode reclamar que seu filho não está aprendendo porque está sendo doutrinado, mas como atacar aqueles que se preocupam em criar um ambiente amoroso em sala de aula? Já vejo os seus simpatizantes pensando: "Mas o que esse cara defende, então? A pedagogia do ódio?". É um prato cheio para os maniqueístas.

Mais do que uma ferramenta cínica para cobrir nossa abissal incompetência no ensino, a pedagogia do afeto se encaixa como uma luva em duas vertentes da nossa cultura, especialmente populares entre os professores. A primeira é o maximalismo. Não basta ao docente brasileiro ser um profissional competente que consegue dar cabo de sua missão primeira (e nada simples) de transmitir aos alunos todo o conhecimento e desenvolver as habilidades intelectuais para navegar em um mundo crescentemente complexo. Isso é pouco. É preciso, também, desenvolver valores éticos, melhorar a autoestima do alunado, preservar o meio ambiente e prezar a diversidade. O bom professor precisa ser um herói, um abnegado, um missionário, um Quixote lutando contra uma sociedade que o ignora e o desrespeita.

A segunda vertente, muito estimulada pelo governo atual, é a ideia de que o brasileiro legítimo é um batalhador, que se esforça contra todas as adversidades. Se triunfa ou não, é irrelevante: o que importa é que não desiste nunca. E o faz mantendo, no processo, a simpatia e a cordialidade brejeira que ainda nos tornarão a Roma dos trópicos. Em suma, o processo e o esforço são mais importantes que o resultado. E o resultado do processo escolar - que deveria ser, antes de todo o resto, o aprendizado - fica de lado. A escola brasileira parece acreditar que terá cumprido sua missão se criar um sujeito bem ajustado, que não puxa os cabelos dos coleguinhas, ainda que não saiba a tabuada nem consiga escrever dois parágrafos concatenados.

A origem intelectual desse vírus que vai poluindo nosso discurso educacional é difusa, já que se trata de um pot-pourri de diversos pensamentos desconexos. Seus maiores praticantes no Brasil são Içami Tiba e Gabriel Chalita. Os escritos do primeiro se destinam mais a pais do que a professores, e se caracterizam pela superficialidade e autopromocionalismo dos manuais de autoajuda. Seu magnum opus, Quem Ama, Educa!, destila todos os assuntos imagináveis sobre educação dos filhos em apenas 300 páginas, com uma bibliografia de dezessete autores. É inócuo.

Já Chalita se vale de citações de grandes pensadores para convencer os leitores incautos e incultos de que se trata de um trabalho de densidade intelectual. Sob esse disfarce, esconde-se uma retórica insidiosa, com o objetivo claro de bajular os docentes, a fonte de votos do "pensador" que virou político. Na cosmovisão chalitiana, os professores são os heróis da nossa educação e as vítimas de um fracasso que é da civilização, não da escola. No autoexplicativo Educação: a Solução Está no Afeto, Chalita tenta passar do plano teórico à sala de aula, para descrever como seria uma aula afetiva: "Em matemática, física ou química, como se abordaria esse tema? Seriam feitas reflexões sobre as sensações humanas, o medo, a solidão. As retas, o plano, a trigonometria das ruas do Rio de Janeiro em que conviveram amigos - Vinicius, Toquinho, Tom Jobim (...)". Então tá. Adiciona: "Nada substitui o velho lar. A educação por conta do estado e das instituições não funciona". Assertiva curiosa para alguém que foi secretário da Educação de São Paulo, mas, pelo menos, consistente com sua práxis. Nos quatro anos em que ele esteve no cargo, os alunos sofreram: caiu em 700 000 o número de matrículas nos níveis fundamental e médio, caíram as taxas de aprovação e conclusão do ensino fundamental e mais de 300 escolas foram extintas. Mas com muito afeto.
E você? o que achou deste artigo? Aguardo o seu posicionamento!!!

Deus

O PEDAGOGO E SUAS DÚVIDAS (Reflexões de uma educadora)

GOSTARIA PRIMEIRAMENTE DE AGRADECER A TODOS QUE MESMO COM MINHA AUSÊSNCIA DURANTE TODO ESSE TEMPO, TEM DEIXADO COMENTÁRIOS MARAVILHOSOS E EMPOLGANTES, INCENTIVADORES AQUI NO BLOG. NA VERDADE PARECEM ATÉ ESTAR ADIVINHANDO PELO QUE ESTOU PASSANDO...
COMO EDUCADORA, SEMPRE TIVE CERTEZA DE MINHA VOCAÇÃO E SENTIA-ME FELIZ COM A MINHA ESCOLHA PROFISSIONAL. PORÉM, EXISTEM FATORES QUE FAZEM COM QUE ESTE AMOR PELA EDUCAÇÃO SOFRA SÉRIAS ALTERAÇÕES FAZENDO COM QUE SENTIMENTOS TÃO NOBRES SE ABALEM POR COMPLETO. 
CAROS LEITORES, SEGUIDORES, VISITANTES DO ESSÊNCIA DA PEDAGOGIA, VOCÊ PODE ATÉ NÃO CONCORDAR COMIGO (ESTE É UM DIREITO SEU). MAS NAO VEJO A EDUCAÇÃO COMO UM FAZ DE CONTAS OU COMO UM JOGO DE XADREZ ONDE AS PEÇAS SE MOVEM A TODO MOMENTO DE ACORDO A VONTADE DO JOGADOR. AO LIDARMOS COM EDUCAÇÃO, ESTAMOS EM CONTATO COM SERES HUMANOS DOTADOS DE CAPACIDADES E COMPETÊNCIAS QUE  MERECEM E DEVEM SER RESPEITADAS. ENQUANTO EDUCADORES, TEMOS PERFIS QUE CONSTRUÍMOS AO LONGO DE NOSSA CARREIRA, DE NOSSOS ESTUDOS. DE REPENTE NOS DEPARAMOS COM SITUAÇÕES ONDE A DÚVIDA TORNA-SE NOSSA PRINCIPAL ACOMPANHANTE. ATÉ QUE PONTO VALE TODO NOSSO ESFORÇO? ATÉ QUANDO SEREMOS ALVO DE TANTAS SITUAÇÕES?...
Continua...







Deus
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